BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Persian, English, Sexo, Dinheiro


10/12/2006 a 16/12/2006
20/11/2005 a 26/11/2005
28/08/2005 a 03/09/2005
24/07/2005 a 30/07/2005
17/07/2005 a 23/07/2005
03/07/2005 a 09/07/2005
19/06/2005 a 25/06/2005
27/03/2005 a 02/04/2005
06/03/2005 a 12/03/2005
27/02/2005 a 05/03/2005
20/02/2005 a 26/02/2005
23/01/2005 a 29/01/2005
16/01/2005 a 22/01/2005
02/01/2005 a 08/01/2005
19/12/2004 a 25/12/2004
28/11/2004 a 04/12/2004
07/11/2004 a 13/11/2004
03/10/2004 a 09/10/2004
26/09/2004 a 02/10/2004
19/09/2004 a 25/09/2004
12/09/2004 a 18/09/2004
29/08/2004 a 04/09/2004
25/07/2004 a 31/07/2004
04/07/2004 a 10/07/2004
20/06/2004 a 26/06/2004
13/06/2004 a 19/06/2004
06/06/2004 a 12/06/2004
30/05/2004 a 05/06/2004
23/05/2004 a 29/05/2004
16/05/2004 a 22/05/2004
09/05/2004 a 15/05/2004
02/05/2004 a 08/05/2004
14/03/2004 a 20/03/2004
07/03/2004 a 13/03/2004
29/02/2004 a 06/03/2004
15/02/2004 a 21/02/2004
08/02/2004 a 14/02/2004
01/02/2004 a 07/02/2004


Dê uma nota para meu blog


 O Cinema do Mundo
 Contravenção Zine
 Self Design
 Coop
 Social Distortion fan site
 Supersuckers
 Rev Horton Heat






O que é isto?
Caixa Preta


É tempo de eleição: vote no Caixa Preta



As eleições se aproximam e nada melhor para exercitar a democracia do que votar no Caixa Preta, um dos indicados ao troféu Quepe do Comodoro na categoria "Melhor Blog de Cinema". A premiação foi instituída pelo cineasta Carlos Reichenbach, diretor dos aclamados "Alma Corsária" e "Dois Córregos", que selecionou pessoalmente cada blog e site que concorre ao Quepe.

Para votar, basta enviar um email para comodoro@olhoslivres.com (sem "br") e dizer que o Caixa Preta é, na sua opinião, o melhor blog de cinema.

As parciais da votação podem ser conferidas no blog do próprio Reichenbach:http://doiscorregos.blog.uol.com.br/.

 Escrito por Mr Eddy às 15h33
[ ] [ envie esta mensagem ]



Ferida de amor não mata?



A Professora de Piano
(La Pianiste/01)
Direção: Michael Haneke
Com: Isabelle Huppert (Erika Kohut), Benoit Magimel (Walter Klemmer), Annie Girardot (a mãe), etc

O austríaco Michael Haneke é um especialista em filmar coisas que sabemos existir mas que preferimos não ver. "Violência Gratuita", uma crítica mordaz à exploração da violência no cinema e na TV, é quase um exercício de sadismo, enquanto "Código Desconhecido", com sua montagem crua, mostra a intolerância na Europa de hoje.
Em "A Professora de Piano", Haneke explora os labirintos da sexualidade humana, sem jogar para baixo do tapete suas variações mais obscuras ou fazer vistas grossas sobre suas origens (nesse caso, uma mãe castradora e um lar triste e melancólico). O diretor aborrece muitos espectadores abordando perversões sadomasoquistas/escatológicas e inserindo, ainda, cenas de sexo explícito capazes de constranger outra parte do público. Mas o filme não é um apanhado gratuito de imagens pornográficas. "A Professora de Piano" é, antes de perturbador, um registro triste da solidão e das turbulentas relações de uma reprimida mulher de meia-idade. Sob o prisma psicológico, o terceiro longa-metragem de Michael Haneke apresenta farto material para discussão.

O filme: Erika Kohut (Isabelle Huppert) leciona piano em um conservatório e mora com a mãe dominadora num modesto apartamento. Sem vida social e com os horários rigorosamente controlados pela velha, a professora busca no sexo uma válvula de escape para sua vida aparentemente sem sentido. Mas Erika construiu uma barreira em torno de si, em parte pela repressão doméstica, em parte pelo domínio que ela própria exerce sobre os alunos. O resultado é que o sexo que lhe serve como fuga da realidade, permanece num terreno de fantasia. Ela frequenta peep shows, sex shops e se compraz em assistir casais transando em drive-ins, além de manter um prazer macabro de se auto-mutilar. Não há qualquer semelhança com a ninfomania tratada em filmes famosos como "A Bela da Tarde", "Esse Obscuro Objeto do Desejo" e o brasileiro "A Dama da Lotação". O drama aqui é outro.

A vida profissional de Erika reproduz inversamente suas mazelas pessoais. No conservatório, local que prima pela disciplina e sublinha as diferenças entre vencedores e fracassados, Erika tem uma postura autoritária em relação a seus pupilos. Mas essa rotina é radicalmente modificada quanda ela conhece, em um recital particular, o jovem e bonito Walter Klemmer. Pianista promissor e com ar insolente, ele é imediatamente atraído por Erika e, dias depois, matricula-se no conservatório para atrair sua atenção.

O período que o filme abrange, mostra a exposição de Erika a um contato afetivo e carnal verdadeiro, que pode muito bem ser seu primeiro. A professora não sabe como lidar com um relacionamento real e Klemmer, por sua vez, parece oscilar entre a paixão verdadeira e a conquista barata. Assim, o "romance" entre os dois é completamente desajeitado e Erika tenta impor sua predileção por fetiches e perversões ao rapaz. Ela almeja um tipo de sexo que, em seu caso, aparenta funcionar apenas como fantasia e o qual Klemmer, novato no jogo, não sabe proporcionar. A professora projeta no jovem amante os conflitos de sua relação edipiana com a mãe, algo que mais parece um pedido de ajuda.

Os desdobramentos desse estranho amor são devastadores, especialmente para Erika. Walter, por outro lado, descarta a professora com a mesma displicência com a qual ignora uma possível carreira de músico profissional. Tragado pelo jogo sexual da amante, ele age como aquele homem "respeitável" que paga pelos serviços de uma prostituta: usa, se lambuza, mas não se julga tão sujo quanto seu objeto de desejo. "O inferno são os outros", já disse Sartre.

Numa subtrama que muito ajuda o filme, acompanhamos o drama da emocionalmente frágil aluna Anna (Anna Sigalevitch) e seu empenho em passar no teste para um concerto. A personagem funciona como uma possível reprodução da Erika Kohut jovem. A pressão pela perfeição, a mãe dominadora e a dificuldade em se sociabilizar, são características marcantes também na personagem principal. Em uma cena chave de "A Professora de Piano", Erika coloca cacos de vidro nos bolsos do casaco de Anna após vê-la recebendo atenção de Klemmer. De novo, é preciso cavar no subconsciente para entender as motivações da personagem: seria ciúme da única pessoa que lhe despertara algum tipo de sentimento ou uma tentativa de livrar Anna de um destino tão miserável quanto o seu? Ou quem sabe, ainda, um jeito de evitar que a aluna lhe superasse na única coisa em que ela era realmente boa (tocar peças de Schubert)? O filme não oferece respostas fáceis.

"A Professora de Piano" é tecnicamente bem realizado, valendo-se da música interpretada pelos personagens como única trilha sonora (todos os atores tocam ou aprenderam piano para trabalhar no filme) e tem alguns enquadramentos nitidamente kubrickianos. A interpretação de Isabelle Huppert é de uma completa entrega e se a professora desperta asco, compaixão ou qualquer outro sentimento, em grande parte é obra da atriz. Sem medo de errar, essa é umas das grandes atuações dramáticas no cinema recente.

O desfecho do filme nos leva a pensar na infinidade de anônimos que carrega, de forma incógnita, tristes conflitos numa sociedade que prima pelo individualismo. O contraste da formalidade do recital, no qual Erika e Klemmer se conhecem, com a perversão e a melancolia de seus encontros sexuais, resume bem uma frase de Nelson Rodrigues: se você soubesse o que seu vizinho faz na cama, não o cumprimentaria pela manhã. Num mundo que vive de aparências, isso faz bastante sentido.



 Escrito por Mr Eddy às 03h27
[ ] [ envie esta mensagem ]



[ ver mensagens anteriores ]